Discos raros não perdem valor com relançamentos

Por Marcelo Justo

Como pode um disco de vinil brasileiro alcançar o patamar em valores, comparados a uma joia? O mercado de disco raro brasileiro é realmente surpreendente, mesmo esses discos sendo relançados por selos nacionais e ou internacionais, alguns deles podem passar de R$ 10.000. Isso mesmo, uma “joia rara”, como dizem alguns colecionadores, que vislumbram tê-los no acervo, ou de um lojista que diz que um vinil desses pode salvar o mês de baixas vendas e vivem garimpando essas preciosidades.

Numa conversa de balcão de sebo, na loja Disco 7, no reduto das galerias da rua 24 de maio, no centro de São Paulo, pergunto sobre discos raros brasileiros a um vendedor. Ele rapidamente pega em baixo do balcão um exemplar do disco “Coisas”, do maestro e multi-instrumentista brasileiro Moacir Santos, lançado em 1965. “Este não é o relançamento, é o original da época, mas já está vendido”, disse. “Carlinhos”, como prefere ser chamado, me alerta quanto o selo Polysom, que já o relançou em 2013, com um custo em média de R$80, mas
o exemplar em suas mãos, segundo ele, foi vendido por R$ 1.200.

Mas um dos principais e mais raros discos de vinil brasileiro é o álbum Paêbiru, gravado por Zé Ramalho e Lula Côrtes, lançado em 1975, é considerado uma obra-prima, uma fusão da música regional nordestina, do misticismo e do rock psicodélico o classifica como uma das experiências mais ousadas e criativas da nossa MPB. Mas não é só isso que o torna o disco mais raro do Brasil, pois uma história “macabra” fez com que 1000 das 1300 cópias prensadas fossem levadas por uma grande enchente dos estúdios da gravadora aos canais recifenses, ainda
como se não bastasse tanta tragédia, a fita máster também se foi com as águas.

Das 300 cópias restantes é possível encontrar no mercado com valores em média, para um em excelente estado beira aos R$ 4.000. O disco foi relançado sem a autorização de seus autores por selos ingleses, americanos e alemães e hoje é possível achá-lo por R$ 300, tanto em algumas lojas especializadas ou até em sites. Numa pesquisa rápida em sites de vendas pela internet, aqui e fora do Brasil, achei um por R$ 11.000, neste caso, o vendedor que é brasileiro, recebeu inúmeras mensagens de interessados, ora barganhando o valor, outrora até mesmo dizendo que ele, “colocou esse valor porque não quer se desfazer”, do LP.

Colecionador de obras raras, o técnico em segurança do trabalho Adair Fernandes Rabelo Junior, têm uma edição relançada do álbum Paêbiru, de um selo inglês Mr Bongo. “Sou totalmente a favor das reedições e as compro, mas é preciso que elas respeitem a prensagem original, com capas duplas e encartes que reproduzam a fidelidade do original”, disse Adair. Segundo ele, essas reedições não desvaloriza o original porque é como ter uma obra original de Van Gogh e uma réplica. “Quem têm uma edição do Paêbiro têm um sobrevivente, por toda história que envolve o disco o torna uma peça única e carrega seu valor”, completa. O colecionador ainda exibe com muito entusiasmo um exemplar muito bem conservado do Tim Maia Racional Volume 2, lançado em 1976, que é outra obra muito difícil de se encontrar em boas condições. “O Volume 2 é mais difícil porque é o segundo da série da Cultura Racional (seita que Tim Maia pertenceu na década de 70′), e logo depois de lançado o Tim se desiludiu com a seita e mandou recolher todos os discos, então sobraram poucas edições e ele nunca foi relançado”, conta o colecionador que avalia seu item em R$ 800, mas é fácil achá-lo por até R$ 1,4, no mercado online de venda de discos. 

Renegado pelo Rei Roberto Carlos, segundo rumores, seu primeiro disco também é uma das peças mais raras do mercado. “Louco por Você”, lançado em 1961, pode ser encontrado por valores que vão de R$ 3.000 a R$ 7.000. Reza a lenda de que o rei não gosta do disco e que sua equipe caça as edições em todos os lugares possíveis, pagando o que for. 

Segundo Tony Braga, radialista e proprietário do sebo Baú dos Discos, as reedições esbarram nos direitos autorais, porque prensar o disco não é o mais difícil. “Se fosse fácil reeditar esse disco já teria sido reeditado, mas o que sei é que além do Roberto não gostar dele o Carlos Imperial, autor da maioria das canções e produtor do Roberto durante o inicio da sua carreira, também não queria sua reedição”, disse o lojista. Tony disse ainda que já o teve em mãos alguns exemplares, mas que não dura uma semana na loja, que o ultimo foi vendido por R$ 2.000. Segurando em mãos o álbum “Viva a Juventude”, de Renato e Seus Blue Caps, de 1964, que segundo ele, é a “joia rara” do momento.

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O melhor de Tim Maia em 180 gramas

Os três primeiros álbuns do soulman brasileiro Tim Maia serão relançados, os álbuns homônimos, de 1970, de 1971 e 1973, já estão na prensa da Polysom. Algumas lojas online já estão fazendo pré-reservas, a fábrica acabou de confirmar que os primeiros discos de carreira do pai da soul music vão ser reeditados pela coleção “Clássicos em Vinil”, em 180 gramas. Os três discos carregam a melhor fase e os grandes hits do cantor.