Desert Trip vende menos bebida e mais comida

Por Thales de Menezes

Mick Jagger disse ser “dinossauro” na primeira noite do Desert Trip Festival, na Califórnia. A brincadeira é inevitável. E artistas maduros atraem público maduro. Fica difícil encontrar alguém com menos de 25 anos pela plateia. Os poucos nessa condição normalmente estão acompanhando os pais.

Com isso, o perfil do consumidor fica muito diferente do que se costuma ver em outros festivais de música. Em comparação com o Colchella, festival dominado por um público jovem realizado no mesmo local, em abril, os organizadores esperam vender 30% menos de bebidas, mas antecipam 50% no aumento do consumo de comida. Isso justifica as várias áreas de alimentação espalhadas pelo local. É curioso que a demanda de comida vegetariana é bem menor entre o público mais velho.

A venda de produtos licenciados com a marca do festival também deve superar aquela observada no outro evento dos mesmos organizadores.

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A maior surpresa dos Rolling Stones no Desert Trip foi a banda tocar "Come Together", dos Beatles. Ninguém na plateia entendeu, mas todos adoraram. Mick Jagger disse amar essa música (Mark Ralston/AFP)
A maior surpresa dos Rolling Stones no Desert Trip foi a banda tocar “Come Together”, dos Beatles. Ninguém na plateia entendeu, mas todos adoraram. Mick Jagger disse amar essa música (Mark Ralston/AFP)

Problemas Para quem acha que tudo nos Estados Unidos é muito organizado, observações no Desert Trip: funcionários não conseguem dar uma informação direito, algumas paredes estavam sendo pintadas ainda na sexta-feira à tarde, com público já dentro do recinto, e as filas para comprar comida são gigantescas. Gastar 45 minutos para comprar um wrap vegetariano é um pouco demais.

Bolachas A loja de discos usados montada no festival é enorme e faz um sucesso danado. As filas são longas, com gente carregando mais de 20 LPs até o caixa. A oferta em vinil é barata. É possível comprar um álbum raro dos Stones gravado no Japão por 40 dólares ou então fuçar nos compactos oferecidos a um dólar até achar coisas interessantes, como o single de George Michael cantando “Careless Whispers”.

Clássicos A música que emana dos alto-falantes antes dos shows contempla basicamente o chamado classic rock. O público reage com entusiasmo ao repertório que tem Bruce Springsteen, Deep Purple, Creedence Clearwater Revival, Led Zeppelin, AC/DC e até Mötley Crüe, que não é clássico, é só velho.

Segunda edição? Falando em Springsteen, ele é muito cotado na boataria que rola pelo festival sobre uma possível versão em 2017 que teria apenas artistas muito consagrados dentro dos Estados Unidos. Além dele, aparecem os nomes de Tom Petty, John Mellencamp, James Taylor e até Paul Simon, que teria recebido uma oferta tentadora para recompor a dupla com o parceiro Art Garfunkel, uma das mais bem-sucedidas da história do rock.